BlogAKI

Finaciamento Coletivo

28/06/2012 - 11h45

Uma professora, dois estudantes e um sonho quase impossível

Elizabete e seus alunos idealizaram um projeto de um biodigestor para ajudar a população de uma comunidade carente do bairro das Malvinas, no Amapá. O sonho de ajudar a comunidade foi ainda mais longe, com um convite para se apresentarem em uma das maiores feiras de Ciências do mundo, nos Estados Unidos. Mas esse era só o começo de muitas dificuldades.

Elizabete, Adymailson e Thysiane tinham um sonho. De melhorar a situação de 20 mil pessoas de uma comunidade ribeirinha no Amapá. O bairro das Malvinas é frequentemente assolado por tragédias naturais, como enchentes. Isso acontece porque não há coleta de lixo. E quando não chove, o problema é outro. Como as casas são de madeira e muito próximas umas das outras, quem ataca é o fogo, que se espalha rapidamente.

Em situações como essa, a população é alertada e deve deixar suas casas. E as escolas viram abrigos. Elizabete, professora de Matemática de uma dessas escolas, resolveu então agir. Juntou alguns alunos e foi até à comunidade para tentar ajudar os moradores. “Constatamos que as pessoas não querem sair de lá po muitos motivos. Já que eles não querem sair, resolvemos amenizar a situação deles”, disse.

Assim, surgiu um projeto promissor. Construíram, nos quintais de suas casas, um biodigestor – um recipiente lacrado com duas caixas d’água cheias de lixo e esgoto, que durante cerca de 15 a 25 dias, produziria gás metano que, por sua vez, seria distribuído através de tubulações para a população.

Mas até aí, não achavam que poderiam ir tão longe. De tão empolgados que ficaram com o projeto, começaram a inscrevê-lo em feiras de Ciências por todo o Brasil. Para sua surpresa, foram chamados para participar da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia, no Rio Grande do Sul. Mas aí, a primeira dificuldade: como chegar lá?

Foi um amigo que os ajudou, emprestando 2 mil reais para a viagem de Elizabete e seus alunos. Mas lá, em Novo Hamburgo, o projeto se mostrou um verdadeiro sucesso e foi considerado um dos melhores. E com isso, vei o convite inesperado: participar de uma das maiores feiras de ciências do mundo, nos Estados Unidos.

O sonho logo pareceu impossível. Uma empresa pagaria as passagens aos EUA, mas a professora e seus alunos deveriam correr atrás de todo o resto, como conseguir os vistos. E pra quem não mora no eixo Centro-Sul do Brasil, viajar para uma entrevista de visto pode ser uma grande dor de cabeça.

“Visto, você vai ter que correr atrás,

passaporte, você vai ter que correr atrás.

E aí eu perguntava: como é que eu vou fazer isso?”,

conta Elizabete.

Não tinha jeito. Agora, eles teriam que contar com a ajuda de várias pessoas. De que outra forma poderiam arrecadar o dinheiro necessário para os gastos da viagem? Foi então que Elizabete e seus alunos recorreram à Culinária. Começaram a vender bolo pela cidade, de porta em porta, de praça em praça. Uma espécie analógica de crowdfunding. E um exemplo para a vida.

Bem, e assim, conseguiram. Juntaram o dinheiro necessário e foram aos Estados Unidos. Apresentaram o projeto (vertido para o inglês por um professor da língua), ganharam medalhas, fizeram sucesso. Realizaram um sonho.

São sonhos e histórias como essa que esperamos realizar aqui. Não pense que o dinheiro pode ser uma barreira. Não mais. Com o financiamento coletivo, você tem liberdade para sonhar alto. Seu sonho ComeçAki.

Fonte: Fantástico