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Finaciamento Coletivo

14/05/2011 - 13h00

Lições de um recordista do Financiamento Coletivo – parte 2

No post anterior, contamos a história do projeto TikTok+LunaTik, produtos que fizeram do iPod Nano um relógio de pulso – e cujo lançamento só foi possível graças ao Financiamento Coletivo. Agora, vamos falar um pouco mais sobre o que levou a este sucesso.

No nosso post anterior, você conheceu a saga do projeto TikTok+LunaTik, por cujo intermédio foram lançados produtos que estão ajudando o iPod Nano a alcançar dimensões talvez nunca dantes imaginadas pelo cidadão Steven Paul Jobs.

Nesse artigo, avaliamos que os atributos inovadores dos produtos (os quais, basicamente, fazem do Nano um “relojão de pulso”), a presença em uma plataforma de arrecadação bem conceituada (Kickstarter.com) e a divulgação cuidadosa do projeto (depois de terabytes de reportagens e artigos sobre o projeto mundo afora, e apesar do período de arrecadação ter se encerrado em 16/10/2010, o perfil no Kickstarter ainda está sendo atualizado), certamente contribuíram para o acachapante sucesso da iniciativa.

Porém, a empreitada TikTok+LunaTik foi tudo, menos fruto do acaso ou de amadorismo sortudo.  A seguir, temos algumas considerações sobre o quão bem estruturado foi esse projeto, e sobre seus prováveis fatores-chaves de sucesso.

O que fez do TikTok+LunaTik um caso de Marketing? Alguns motivos:

Expertise do autor sobre a recompensa

O criador de TikTok+LunaTik, Scott Wilson, é “macaco-velho” da área de design e do mercado de produtos esportivos. Oriundo da divisão de relógios da Nike, em 2007 ele fundou sua própria empresa de desenho e desenvolvimento de produtos, a Minimal. No perfil de Wilson no Kickstarter, é dito que a companhia “tem ajudado a definir alguns dos mais esperados novos produtos e experiências para marcas como Xbox, Nike, Dell, Microsoft e Apple.” Só isso.

Contatos / Networking

A atuação de Wilson na Nike certamente gerou um dividendo significativo para o projeto LunaTik: a versão RedRun do produto integra o Nano ao sensor Nike+, destinado a praticantes de corrida. E pode-se supor, com uma boa dose de segurança, que se o designer não tivesse alguma porta aberta com a Apple, a gigante da tecnologia teria imposto, ao projeto dele, empecilhos legais e mercadológicos que acabariam por inviabilizar os lançamentos.

Mídia gratuita

Como afirmado no início deste artigo, o fato de o projeto TikTok+LunaTik ser algo do tipo “como é que não pensei nisso antes?” por si só pode ter despertado o interesse de veículos especializados em gadgets e apetrechos esportivos no geral. Em adição, é de se imaginar que o posicionamento do projeto como uma das “âncoras” do Kickstarter ajudou a trazê-lo para os holofotes da mídia de massa.

Expertise em Marketing

Scott Wilson entrou no projeto já com pleno conhecimento dos quatro componentes do chamado composto de Marketing, cujo atendimento é fundamental para o sucesso de um produto ou serviço:

Produto - como dito anteriormente, o criador de TikTok+LunaTik veio da indústria de relógios esportivos, tendo grande conhecimento sobre materiais e fornecedores, bem como de processos produtivos e de controle de qualidade.

Preço – a versão básica do TikTok, hoje, custa atrativos US$ 39,95 e a do LunaTik, US$  79,95 – valores que, imagina-se, não pesam no bolso de um proprietário de iPod Nano.

Distribuição – vendendo o produto pela internet, Scott Wilson eliminou custos com uma série de “atravessadores”, tais como grandes cadeias de varejo. O fato de não manter esses intermediários contribui, ainda, para que ele obtenha controle sobre o já citado fator Preço.

Promoção – ao hospedar seu projeto no Kickstarter, Wilson matou “dois coelhos com uma cajadada só”: associou um projeto que, por si só, já tinha tudo para chamar a atenção dos citados veículos especializados em esportes e tecnologia, a uma modalidade de financiamento que, à época do início da captação de recursos do TikTok+LunaTik, estava começando a chamar a atenção do mundo – atenção essa que não para de crescer.

E aí?

Frente a todos esses aspectos, é inevitável que surja a pergunta: “mas por que um cara conceituado e ‘canchado’ no mercado como Scott Wilson foi parar no Kickstarter?”

Porque, acreditemos ou não, as grandes empresas de equipamentos esportivos não quiseram, de início, “peitar” a iniciativa dele. Mesmo com toda a sua reputação e com um projeto certamente muito bem estruturado, Scott Wilson não conseguiu estabelecer uma aliança para a produção e lançamento de seus dois protótipos. Prova de que, ainda hoje, boas ideias podem simplesmente morrer, se seus autores se contentarem em arrodear as portarias das grandes corporações, em vez de tentar abrir outras portas por conta própria.

Mas o que é que EU posso fazer para lançar o próximo “Tik-Tok+Luna-Tik”?

No nosso próximo post, que vamos publicar na segunda-feira (16/05), a gente fala mais sobre isso. Aguarde!

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